O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) protocolou na Justiça de Alagoas um pedido de falência contra a TV Gazeta de Alagoas, pertencente ao grupo da família do ex-presidente Fernando Collor de Mello. A medida foi motivada pelo não pagamento de uma parcela de R$ 14,5 mil do plano de recuperação judicial em vigor desde 2019.
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Apesar de parecer um valor baixo diante das dívidas milionárias acumuladas, o inadimplemento representa descumprimento grave das cláusulas do acordo. A emissora tem agora 15 dias úteis para quitar o débito ou apresentar justificativa jurídica plausível. Caso contrário, a falência poderá ser homologada.
O impacto do rompimento com a Globo
A defesa da TV Gazeta atribui a crise ao fim da parceria com a TV Globo, encerrada em outubro de 2023 após denúncias de envolvimento em esquemas ilícitos. A saída da Globo da grade de programação reduziu drasticamente a audiência e o faturamento publicitário da emissora.
Sem o conteúdo da maior rede do país, a TV Gazeta perdeu relevância no mercado local. O espaço foi rapidamente ocupado pelo Grupo Asa Branca de Comunicação, que assumiu a retransmissão da Globo em Alagoas.
Conexões políticas e dívidas perdoadas
Durante o governo Jair Bolsonaro (2019-2022), a emissora teria sido beneficiada com o perdão de uma dívida de R$ 10 milhões junto ao próprio BNDES. Essa anistia ofereceu fôlego temporário, mas não resolveu os problemas estruturais.
Com a mudança de cenário político, o banco passou a adotar postura técnica e rigorosa, cobrando até valores considerados simbólicos. Sem apoio nacional e com custos elevados de programação independente, a TV Gazeta enfrenta risco real de encerramento definitivo.
Tentativas frustradas de novos acordos
A emissora chegou a negociar afiliação com a Band, mas desistiu da assinatura do contrato na última hora. Atualmente, opera com programação própria, o que aumenta despesas e reduz atratividade comercial.
+ televisão
O futuro da TV Gazeta dependerá da capacidade de reverter o pedido de falência nas próximas semanas. Caso contrário, a emissora pode encerrar suas atividades após décadas de hegemonia na comunicação alagoana.
