A Polícia Militar da Bahia exonerou, nesta quinta-feira (26), o major João Daniel Ribeiro Queiroz. Ele ocupava o cargo de comandante da 18ª Companhia Independente (CIPM). De acordo com informações da Coluna Outro Canal, assinada por Gabriel Vaquer na Folha de S.Paulo, o oficial homenageou o apresentador Marcelo Castro.
O comunicador comanda atualmente o programa Alô Juca (TV Aratu/SBT). No entanto, a homenagem teria ocorrido sem o aval dos superiores do major. A honraria, entregue em fevereiro, destacava “bons serviços prestados à comunidade baiana”. O ato gerou desconforto na cúpula da segurança pública estadual.
Marcelo Castro é réu na Justiça baiana por suspeita de liderar uma organização criminosa. Segundo o processo, o grupo desviou mais de R$ 500 mil em doações. Esses valores eram enviados via Pix por telespectadores para ajudar pessoas em situação de vulnerabilidade. Entre 2022 e 2023, o apresentador trabalhava no Balanço Geral Bahia (RECORD) e, após a emissora descobrir o esquema, foi entregue as autoridades e demitido por justa causa.
Detalhes da investigação e do esquema
As investigações apontam que o grupo se apropriou de aproximadamente R$ 407,1 mil. Esse valor representa 75% do total doado pelo público. Desse montante, R$ 146,2 mil teriam ficado com Castro. Outros R$ 145,7 mil foram repassados a Jamerson Oliveira, ex-editor-chefe do programa na RECORD, que também migrou para a afiliada do SBT.
O desvio acontecia com a exibição de chaves Pix de “laranjas” na tela durante as reportagens. O grupo ficava com a maior parte da verba e repassava apenas quantias menores aos necessitados. O esquema veio à tona em março de 2023.
Na ocasião, o jogador Anderson Talisca doou R$ 70 mil para uma criança com câncer. Um assessor do atleta percebeu que a chave Pix exibida na TV era diferente da informada anteriormente.
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O que diz a defesa
A assessoria da Polícia Militar confirmou a exoneração de João Daniel. Em nota, a corporação declarou:
“A Polícia Militar da Bahia ressalta que a medida não possui qualquer motivação de natureza punitiva, estando inserida no âmbito de reorganizações administrativas regulares”. O major não foi localizado para comentar o caso.
A defesa de Marcelo Castro nega qualquer envolvimento em organização criminosa. Os advogados afirmam que o dinheiro foi devidamente entregue a quem pedia ajuda. Vale ressaltar que o apresentador foi condenado recentemente, no dia 13 de março (13), a um ano e cinco meses de prisão em regime aberto. A sentença refere-se a ofensas contra um empresário e ainda cabe recurso.
