O Brasil se despediu nesta sexta-feira (08) de Arlindo Cruz, um dos maiores nomes do samba, que morreu aos 66 anos. O artista estava afastado dos palcos desde 2017, quando sofreu um Acidente Vascular Cerebral (AVC). Ao longo de mais de quatro décadas de carreira, construiu um legado que atravessa gerações, com composições que se tornaram clássicos do gênero.
Nascido e criado em Madureira, no Rio de Janeiro, Arlindo Domingos da Cruz Filho cresceu cercado de música graças à influência do pai, Arlindão. Sua trajetória profissional começou em 1975, aos 17 anos, tocando cavaquinho no disco Roda de Samba, de Candeia. Pouco depois, tornou-se um dos fundadores da roda de samba do Bloco Carnavalesco Cacique de Ramos, berço de grandes nomes como Jorge Aragão, Almir Guineto e Zeca Pagodinho.
Foi no Cacique que Arlindo consolidou seu estilo no partido-alto e introduziu o banjo ao samba. De lá surgiu o grupo Fundo de Quintal, do qual fez parte a partir de 1982. Com a formação, gravou dez álbuns, incluindo obras marcantes como Seja sambista também e O mapa da mina. No início dos anos 1990, seguiu carreira solo, lançando nove discos e formando uma parceria prolífica com Sombrinha.
Segundo o Ecad, a obra de Arlindo Cruz soma 795 músicas. Entre seus sucessos, destacam-se “Saudade louca”, “Boto meu povo na rua” e “Alto lá”. Além de brilhar nos palcos, o cantor também foi autor de sambas-enredo históricos para o Império Serrano, como o de 1989, “Jorge Amado, Axé Brasil”. Em 2023, a escola de Madureira o homenageou no Carnaval com o enredo Lugares de Arlindo, desfilando com o músico no último carro alegórico.
A partir de 2017, após o AVC, Arlindo enfrentou limitações físicas e cognitivas, mantendo-se longe das apresentações.
