O Brasil despede-se de um dos seus maiores expoentes das artes cênicas. O ator Juca de Oliveira morreu aos 91 anos neste sábado (21), em São Paulo. Ele estava internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Sírio-Libanês desde o dia 13 de março. O artista vinha lutando contra uma pneumonia e complicações cardiológicos. Até o momento, as informações sobre o velório e o sepultamento não foram divulgadas. Juca deixa uma filha, a bióloga Isabella.
Nascido em São Paulo, no dia 16 de março de 1935, José Juca de Oliveira Neto iniciou sua trajetória artística nos palcos. Ele integrou o importante Teatro Brasileiro de Comédia (TBC) e, desde 2017, ocupava uma cadeira na Academia Paulista de Letras.
Seu vasto legado engloba mais de 20 peças de teatro, 20 filmes e uma extensa lista com mais de 30 novelas e minisséries. Ao longo de sua carreira na televisão, passou por grandes emissoras como a TV Tupi, SBT e Rede Globo.
Personagens Inesquecíveis e Destaques na TV
Dentre seus muitos trabalhos, alguns personagens tornaram-se icônicos na memória do público. Em “Saramandaia” (1976), Juca interpretou João Gibão, um homem reservado que escondia um par de asas e lidava com premonições. O ator considerava este papel uma virada em sua carreira. “Fiquei entusiasmadíssimo…”, relembrou Juca ao site “Memória Globo” sobre a época, misturando o sentimento com o contexto político que vivia. Outro papel de grande repercussão foi o Dr. Albieri em “O Clone” (2001), na Rede Globo.
Seu personagem gerou intensos debates na sociedade ao realizar, em segredo, a clonagem de um ser humano, Diogo (Murilo Benício). A trama envolvia questões éticas profundas e a verdade só vinha à tona 18 anos depois, com a revelação sobre Leo (Murilo Benício). Juca também se destacou como o Padre Antônio em “As pupilas do senhor reitor” (1995), no SBT.
Entre os mais recentes trabalhos no campo das novelas, o ator deu vida a Samuel em “Flor do Caribe” (2013) e Dr. Natanel em “O Outro Lado do Paraíso” (2017).
Militância Política e Exílio
Além de seu talento artístico, Juca de Oliveira teve uma atuação política marcante. Filiado ao Partido Comunista Brasileiro nos anos 1960, ele comandou o Teatro de Arena ao lado de figuras como Gianfrancesco Guarnieri, Augusto Boal, Paulo José e Flávio Império. Devido ao forte teor político das peças, Juca foi perseguido pela ditadura militar e viveu um período de exílio na Bolívia.
“Por um lado, fiquei em pânico, mas, por outro, meu ego ficou insuflado. Paulo José falava assim para mim: ‘Você não está sendo procurado por talento, é por política. Não fica alegrinho, não’. Aí baixei um pouco a bola”, recordou o ator.
Após quatro anos, o grupo retornou ao Brasil, momento em que Juca intensificou sua carreira na televisão, sem abandonar sua veia política, chegando a assumir a presidência do Sindicato dos Atores de São Paulo.
O falecimento de Juca de Oliveira representa uma perda irreparável para a cultura brasileira. Seu talento, versatilidade e engajamento deixam uma marca indelével na história do teatro e da televisão no país.
