O apresentador Ratinho quebrou o silêncio nesta quinta-feira (12) após ser denunciado pela deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP) ao Ministério Público Federal. Em conversa com colunista Lucas Pasin (Metrópoles), o comunicador negou ter cometido qualquer crime e afirmou que pretende tomar medidas legais contra veículos e pessoas que o chamaram de transfóbico. Segundo o contratado do SBT, tratar mal o outro é que configuraria a prática, algo que ele alega jamais ter feito.
O apresentador declarou que está disposto a conversar com a parlamentar para esclarecer o que quis dizer, chegando a pedir desculpas caso ela tenha se sentido ofendida. No entanto, o tom conciliador dividiu espaço com a manutenção de suas opiniões anteriores. Ratinho reiterou que não vê a deputada como integrante do gênero feminino e que manterá sua postura crítica quanto à presidência da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher na Câmara dos Deputados.
Mesmo diante da repercussão negativa, o apresentador do Programa do Ratinho voltou a contestar o gênero da parlamentar. “O que eu quis dizer é que Erika não é uma mulher mesmo”, disparou o comunicador durante a entrevista. Para ele, o cargo na comissão deveria ser ocupado por uma “mulher de verdade”, vinculando a função ao sexo biológico. O empresário ainda pontuou que, em sua visão, existem apenas dois gêneros, o masculino e o feminino, classificando outras identidades como comportamento.
A posição de Ratinho ignora o reconhecimento jurídico da identidade de gênero no Brasil, o que motivou a ação de Erika Hilton. A deputada solicita uma indenização de R$ 10 milhões por danos morais coletivos destinados à população trans e travesti.
SBT mantém distanciamento das falas do apresentador
Enquanto Ratinho endurece o discurso, a emissora de Silvio Santos tenta conter a crise de imagem. O SBT enviou uma nota oficial reforçando que as opiniões do apresentador não refletem os valores da empresa. O canal reiterou o repúdio a qualquer tipo de discriminação e informou que o caso segue sob análise da alta direção. A situação gera um impasse entre a liberdade de opinião do comunicador e as políticas de compliance da televisão brasileira.
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O imbróglio agora ganha novos capítulos na esfera jurídica, com ambos os lados prometendo acionar tribunais. De um lado, Erika Hilton busca a condenação por transfobia no MPF; do outro, Ratinho promete processar quem rotulou suas falas como criminosas.
