O programa Balanço Geral (RECORD) exibiu uma entrevista exclusiva com o tenente-coronel da Polícia Militar, Geraldo Leite Rosa Neto, investigado pela morte da esposa, a também policial Gisele Alves Santana. Durante a conversa por telefone com o apresentador Eleandro Passaia, o oficial falou pela primeira vez com a imprensa e negou o crime.
“Eu mesmo todos os dias, em minhas orações conversando com Deus, eu não consigo entender por que ela tirou a própria vida”, declarou o militar nesta quarta-feira (11).
A entrevista ocorreu no momento em que a Justiça de São Paulo determinou que o caso seja investigado como feminicídio. Gisele foi encontrada morta no dia 18 de fevereiro com um tiro na cabeça. Embora o marido tenha alegado suicídio no primeiro boletim de ocorrência, a família da vítima contestou a versão. Segundo familiares, a policial não apresentava comportamento depressivo e pretendia pedir a separação do oficial.
Ainda em sua declaração para o programa da RECORD, o tenente-coronel comentou sobre a desconfiança dos familiares da vítima.
“Eu não culpo os pais delas por fazer esse questionamento. Porque se ela tivesse sozinha no apartamento com a mãe dela eu iria desconfiar que foi a mãe dela que a matou. Então eu pergunto a Deus: ‘Por que ela fez isso meu Deus'”, afirmou o militar.
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Laudo aponta marcas de agressão no corpo
A investigação ganhou novos contornos após a exumação do corpo, realizada na última sexta-feira (6). O laudo pericial, divulgado com exclusividade pela imprensa, atesta lesões contundentes no pescoço e no rosto de Gisele. O documento descreve marcas compatíveis com pressão digital e unhas, sugerindo que a vítima sofreu violência física antes do disparo fatal.
Além das marcas no corpo, depoimentos de bombeiros reforçam as suspeitas contra o tenente-coronel. Um dos socorristas estranhou o fato de a arma estar perfeitamente encaixada na mão da vítima. Outro ponto relevante citado no inquérito é que o oficial afirmou estar no banho no momento do tiro, porém, não havia marcas de água no chão do apartamento quando o resgate chegou.
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Movimentação no apartamento após o crime
Câmeras de segurança registraram que, no dia da morte, três mulheres que se identificaram como policiais militares estiveram no imóvel para realizar uma limpeza. Mais tarde, o próprio investigado retornou ao local, onde permaneceu por cerca de uma hora retirando objetos pessoais. A conduta do oficial e o intervalo de quase 30 minutos entre o estampido do tiro e a ligação para a emergência seguem sob análise da Polícia Civil.
